Inclusão escolar – Experiências e a nova Lei

inclusao escolar

Poderia iniciar este artigo explicitando sobre a nova  Lei de inclusão escolar, sugerindo capacitação e educação continuada.  Portanto escolhi a emoção, pois acredito que o amor transforma, cura e capacita, de acordo com a teoria do psiquiatra renomado Dr. Augusto Cury.

Nenhuma técnica psicológica funcionará se o amor não funcionar.

Augusto Cury “Pais brilhantes, professores fascinantes”, Augusto Cury, Sextante, 2003.

Com base na citação acima, convido-lhes a uma breve reflexão:

Não existe manual, curso, mestrado para ser pai, mãe, amigo (a), irmão (ã), marido, esposa, primo…  porém, todos cumprem o seu papel, fazendo o melhor possível, e isso acontece porque somos movidos pela emoção, pelo amor que nos une.

É assim,  através deste cenário que contemplo a inclusão escolar, aos alunos “especiais”, não somente, no sentido conotativo da palavra, mas sim, no sentido denotativo, que não é geral, que diz respeito a uma coisa ou pessoa, individual, particular. O portador de necessidades especiais ele só precisa ser aceito, esta relação precisa ser natural, espontânea.

Os alunos portadores de necessidades especiais são sensíveis, capazes de perceber o seu empenho, esforço ao querer entendê-lo e ajudar, então o esforço do aluno na inclusão escolar será muito grande, são gratos e não gostam de decepcionar os educadores que os aceitam e acima de tudo acreditam que podem ser capazes de progredir no aspecto emocional e cognitivo, granjear o sucesso.

Considero que o primeiro passo do educador para desenvolver o trabalho de inclusão escolar, neste novo cenário é capacitar o seu coração.

Inclusão escolar – A dedicação supera a inexperiência.

Lembro-me de quando comecei a lecionar, dos alunos especiais que passaram por mim, sem diagnóstico, sem apoio de especialistas, sem ter como aprofundar, o porquê de alguns comportamentos, contudo o desejo de vê-los felizes no ambiente escolar estreitava o vínculo afetivo e a evolução cognitiva acontecia de forma satisfatória na medida do possível, respeitando a individualidade e o tempo de maturação sempre com o olhar individual.

Aos 17 anos, professora da classe de alfabetização, primeira turma como regente, recebi um presente, uma linda menina portadora de síndrome de down; confesso que fiquei insegura, pois o termo inclusão escolar, até então, era simplesmente um assunto para debate em sala de aula.}

o que é sindrome de down

No primeiro momento nos olhamos e trocamos um sorriso; e pensei!  Eu preciso ajudá-la! Mas como? Confesso que dormia pensando na minha portadora de necessidades especiais. A única certeza que eu tinha era que não a abandonaria, procurava uma estratégia para incluir a minha menina em todas as atividades, procurando adequar, modificar, ajudar, com o objetivo de vê-la feliz no ambiente escolar.

Um dia a responsável pela linda menina, chegou à escola, a entregou com um largo sorriso e falou-me:

– Obrigada por tudo de bom que tem feito pela minha filha!

Naquele momento não consegui conter a emoção e percebi que, inclusão escolar não é possível se o seu coração não estiver capacitado, como citei anteriormente.

Depois desta experiência vieram muitas outras, e consequentemente a necessidade de aprimorar o conhecimento, pesquisar e adquirir experiência no trabalho de inclusão escolar, mas o amor nunca deixou de ser a principal estratégia. Atenção, afeto, aceitação, foram os requisitos básicos para atender à todas as necessidades.

Inclusão escolar –  A superação diante das dificuldades.

Este ano letivo (2017), recebi um aluno “muito especial”, sentava na primeira cadeira, atento as orientações, pois tem consciência das suas dificuldades, e pelo que percebi nas primeiras aulas, diante do comportamento, devia ecoar no seu interior a voz da sua mãe, preocupada, que certamente lhe dizia todos os dias: “- Presta atenção!”

aluno sozinho
Aos poucos comecei a mergulhar no universo deste aluno “especial”,  para conhecê-lo melhor, e atendê-lo de forma positiva, ele não tem diagnóstico, contudo seu comportamento requer cuidados e atenção dirigida.

O aluno comporta-se tenso, preocupado, sério, além de: Não participar das brincadeiras, apresentar dificuldade para sociabilizar, seu único canal de comunicação são os professores, quando conseguem criar uma relação de afinidade e confiança.

Diante do cenário da sala de aula, sabia que precisava utilizar de forma técnica e emocional a inclusão escolar, este aluno precisava se fazer presente, confesso que foi árduo e difícil, porque o aluno entrava em conflito facilmente com os colegas, seu comportamento era agressivo, diante de qualquer insatisfação. Aconteceram episódios, onde o aluno não conseguiu finalizar a tarefa ou por algum motivo foi contrariado, e os colegas foram tentar ajudá-lo, mas no momento de irritabilidade era impossível acalmá-lo ou fazê-lo ouvir.

Neste momentos difíceis é preciso ter firmeza no olhar, na expressão, mostrando-lhe que não havia motivo para tal descontrole, ensinei-o a respirar, voltar ao eixo, respirava junto com ele, sempre olho no olho, com o tempo ele fazia o exercício de respiração sozinho, sem a minha ajuda, e aos poucos foi apresentando mais tranquilidade no ambiente da sala de aula, os colegas perceberam a mudança e ficavam mais seguros ao se aproximar, mesmo sabendo que a questão do relacionamento ainda era um desafio.

O aluno “especial”, fazia parte de um trabalho de inclusão escolar, porém o aspecto cognitivo evoluiu de forma gradativa, porém dentro dos objetivos propostos da série, contudo não consegue ter um grupo de amigos, ou seja, evoluir no campo social, apesar de extratamente carinhoso e afetivo.

Este é um desafio da inclusão escolar, aluno do 5ºano do Ensino Fundamental I, 10 anos. Ao finalizar o ano letivo, é chegada a formatura, neste momento os alunos tendem a ensaiar algumas  apresentações e há sempre alguns destaques; entre dançar, ler um texto, por destacar boa oralidade… e os ritmos de ensaio se intensificam.

socializar o aluno
Num determinado ensaio, a música era em homenagem aos amigos, o aluno no seu cantinho ensaiando, dançando, cantando a música com ritmo e desenvoltura.  Discretamente cheguei perto, e perguntei:  “-Você gostou desta música?” , ele respondeu: “-Quando eu gosto de uma música, eu vivo a música!”

Na hora fiquei impressionada com a fala do aluno, e pensei, é agora que a formatura vai fazer a diferença, é hora de mostrar a inclusão escolar, propus uma apresentação, um dueto, o aluno especial no processo de inclusão escolar e uma aluna querida que gosta de fazer amigos e ajudar sem apontar.

Orientei a apresentação da seguinte forma; vocês vão viver a música; será um play back e vocês farão o show. Os alunos concordaram felizes com a proposta, os dois ensaiaram e criaram uma bonita afinidade.

No dia da formatura, o público de mais ou menos seiscentas pessoas não intimidou o aluno especial, quando muitos acharam que a apresentação ia fracassar; eles conseguiram emocionar todos os presentes. Ele viveu a música! Infelizmente naquele momento estava envolvida com o evento num contexto geral, eram muitos alunos para conduzir e não pude registrar através de vídeo ou foto este momento que ficará em minha memória, para todo sempre, e cada dia afirmo com mais convicção que o olhar, enquanto docente faz toda a diferença, fique atento, preste atenção aos detalhes, pois só com muita dedicação faremos a diferença na educação.

Outras ações na pratica: confira

A nova Lei da inclusão escolar.

Com o avanço na educação, a Lei Brasileira de Inclusão completa um ano. Lei 13.146/2015. Criada em 06 de julho de 2015, entrou em vigor dia 02 de janeiro de 2016.

A lei trata da acessibilidade, educação e trabalho e ao combate ao preconceito e a discriminação. Ela cria um novo conceito de integração total.

Paulo Paim (PT – RS) foi o principal responsável por iniciar o debate sobre a lei há 15 anos.

A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenem), que representa as escolas particulares, questionou a norma por acreditar que ela comprometeria o orçamento dos estabelecimentos de ensino. Em junho de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a exigência, considerando-a constitucional.

“Assegurou a oferta de sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades de ensino. Estabeleceu ainda a adoção de um projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, com fornecimento de profissionais de apoio. Proíbe as escolas particulares de cobrarem valores adicionais por esses serviços.”                Fonte

De que forma o docente pode colaborar com a Lei de inclusão escolar: Diagnóstico; somente um médico ou um psicólogo podem dar um diagnóstico, o docente acompanha o aluno através da orientação de um especialista. Convívio escolar; insentive a presença do aluno na escola, o convívio com colegas da mesma idade contribui para sua evolução nos aspectos sociais, emocionais e intelectuais. Informe-se;  cada deficiência possui suas características, leia, estude. Seja natural; não o trate como uma dádiva ou um desastre. Avaliação; o aluno tem direito a atenção individualizada e deve ser avaliado através de relatório que será anexado a prova. Mediadora; tanto o docente como a responsável pelo aluno tem o direito de solicitar uma mediadora para acompanhar as tarefas em sala de aula. Atividades extras e eventos; o aluno deve participar de todas as atividades oferecidas pela instituição de acordo com a sua capacidade, o docente deverá adequar as atividades sempre que necessário.

Melhores filmes associados ao tema – Inclusão Escolar

Colegas (2012)

Aninha, Stalone e Márcio protagonizam uma história de amizade e sonhos. Os três fogem do instituto em que viviam para buscar seus respectivos sonhos de casar, ver o mar e voar. Ao longo da trama, os três seguem um percurso de aventura, mostrando que os portadores de Síndrome de Down podem retratar suas histórias dentro de um contexto de autonomia, superação e aprendizagem.

 

Cordas (2014)

O curta animado “Cordas” narra a amizade entre Maria, uma garotinha muito especial e Nicolás, seu novo colega de classe, que sofre de paralisia cerebral. A pequena, vendo algumas das impossibilidades do amigo, não desiste e faz de tudo para que ele se divirta e consiga brincar mesmo na cadeira de rodas. Recriando jogos e atividades, Maria celebra a vida do colega, aprende ao passo que ensina e emociona a todos com as reações do menino, inclusive os espectadores, com as possibilidades do sonho e de uma amizade verdadeira, que infelizmente é interrompida.  Maria aprende a lidar com a perda. Ao final, uma surpresa especial, que lembra a todos da importância do educar e da relação que se estabelece no ensino e aprendizagem. Maria torna-se jovem, professora e dedica-se a crianças com necessidades especiais.

 

Extraordinário (2017)

Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança, durante a infância a mãe desenvolveu, em casa os aspectos cognitivos necessários para a inserção do aluno na escola. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.