Entrevista : A cultura maker na prática

circuito projeto maker com bananas

A educação e a tecnologia utilizando a cultura maker

A tecnologia por meio da cultura maker, foi introduzida pelo conceito “Do it yourself” – ou seja, “Faça você mesmo”, um desafio para o currículo das instituições do Brasil.
A proposta da cultura maker é mostrar que, qualquer pessoa pode construir. Esta estratégia se alinha com a filosofia construtivista, a partir da proposta de estimular a criação através dos alunos.

“É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.”
Aristóteles

O portal Guia Docente fez uma entrevista exclusiva  com o profissional Flávio Furtado de Mendonça Pedrosa, aplicador de cultura maker e professor de robótica sobre o tema a cultura maker; vamos conhecer um pouco desta cultura na prática.

Ficha técnica

professor fabio furtado - cultura maker na ratica
Professor: 
Flavio Furtado de Mendonça Pedrosa

Formação: Superior – Tecnologia e processamento de dados

Especialização:
Pós-graduação em docência do ensino fundamental e médio no conceito de criptografia.
Aplicador professor de cultura maker, há 3 ano; este profissional começou como professor de robótica, até descobrir e se encantar com uma ferramenta mais ampla; na visão do nosso entrevistado.

1. O que é Cultura Maker?

É uma prática do ambiente educacional, onde os alunos em grupo, projetam, criam e modificam diversos tipos de objetos e projetos com suas próprias mãos dentro das suas necessidades, integrado aos conteúdos, ou seja, o desenvolvimento do trabalho é interdisciplinar.

2. Qual é a importância da cultura maker nas escolas?

A prática desta cultura contribui para melhor absorção dos conteúdo, a busca por uma pedagogia que incentive o protagonismo do aluno, que produz colaboração, criatividade e autonomia, a ideia é criar oficinas de invenções – espaços maker – na escola, onde seja produzida uma atitude de empoderamento e transformação da realidade nos alunos envolvidos .

3. Qual é a maior dificuldade de um professor aplicador nas instituições onde atua?

Inserir o projeto com o objetivo de convencer que a cultura maker é um “componente pedagógico”, tão importante quanto a qualquer disciplina, pois este projeto é um facilitador no processo de aprendizagem, onde o aluno é capaz de formar seus conceitos.

4. Você acha que a cultura maker devia fazer parte do currículo escolar?

Com certeza! Seria um conteúdo de movimento e criação vinculado à todas as áreas de estudo.

5. Qual o valor estimado para inserir este projeto inovador dentro das instituições de ensino?

Uma média de 40 mil com o laboratório.

Extra: Veja como montar um projeto maker para ensino fundamental ou ensino médio.

6. A falta de credibilidade nos projetos tecnológicos vinculados a educação, gera dificuldade na divulgação dos projetos de cultura maker?

Sim. A instituição preocupa-se com o currículo e enxerga a cultura maker como uma aula extra e não como um componente pedagógico que vai contribuir e facilitar a compreensão e absorção dos conteúdos propostos.
Uma sugestão é a informação “precisa” sobre o projeto para todos os representantes pedagógicos da instituição, talvez, capacitar os funcionários, principalmente os professores; para que possa ser usado de forma integrada.

7. O que se pode esperar de um aluno que participa das aulas de cultura maker ?

Evolução cognitiva significativa, uma participação mais efetiva das aulas, o aluno aprende a aprender e a fazer, ou seja, construir, organizar e sedimentar o conhecimento.

8. Gostaria de relatar algum fato que tenha surpreendido suas aulas de cultura maker?

Um aluno do primeiro ano do ensino médio, este aluno cursou o fundamental II em uma escola municipal, e sua capacidade intelectual o aprovou em um concurso de bolsa para instituição onde eu atuava como professor de robótica.
Uma das características deste aluno era a introspecção, o que deveria ser um problema para as aulas de robótica, que são desenvolvidas em grupo.

O aluno em questão, tímido, calado, destacava-se por suas ideias e criações nas aulas e aos poucos já foi melhorando a questão do relacionamento diante do seu progresso no laboratório de informática.
Como professor, percebi o interesse e desenvoltura do aluno nas aulas e a trabalhar a questão da autoestima, fazendo-o acreditar na sua capacidade intelectual.

O grupo foi convidado a participar de um campeonato e este aluno foi conosco, mesmo com pouco tempo no curso, sabíamos que para ele esta participação seria importante.

Dentre todos os participantes dos grupos de diversas escolas, este aluno ganhou a premiação de “colaboração”, e foi ovacionado por todos os presentes, simplesmente por colaborar efetivamente com todos os grupos do campeonato, até mesmo de outras instituições, esta oportunidade sanou o problema de introspecção.

Sinto-me honrado e lisonjeado por fazer parte desta história.

Aplicação de Cultura maker – Atividade da banana – Professor Flavio Furtado

Alunos do ensino fundamental I aplicando a atividade “Piano de bananas” com o Professor Flavio Furtado.
Um grupo de crianças de 9 a 10 anos, aprendendo como conectar objetos comuns ao seu computador, enviar comandos e realizar várias atividades.

Objetivo: Fazer uma criança entender como funciona um piano ou mesmo o teclado de um computador.  Torná-la capaz de pensar por ela mesma e buscar desafios.

As crianças criaram o famoso piano de banana. Isso mesmo! Um piano com teclas de bananas!

Eventos Relacionados

Roboday – um evento de popularização da robótica idealizado pelo capítulo Sul-Brasileiro da IEEE-RAS e organizado em parceria com a Mostratec 2017. O objetivo deste evento é expor ao público geral e, principalmente, aos estudantes de ensino médio uma amostra de tudo que há de desenvolvimento em pesquisa na área da robótica em nossa região.

MakeFest – Este evento é um grande encontro de makers, criativos, engenheiros e estudantes, profissionais e pesquisadores de tecnologia, hackers e pessoas de todas as idades interessadas em conhecer novas tecnologias, aprender e se divertir.

Campus Party Brasil – Inspirar e preparar os campuseiros e as cidades para o grande desafio de ser a parte neurológica das mudanças que a humanidade vivenciará nos próximos anos.

Confira esse vídeo onde o professor de Maker Flávio Furtado e o professor de Física Roberto Gomes, mostram como é fácil aprender e interligar os assuntos.


Extra: Palestra “Construa um escola na nuvem” (“Build a School in the cloud”) aonde Sugata Mitra fala um pouco mais sobre o projeto.

Um laboratório de ensino na Índia, onde crianças podem explorar e aprender umas com as outras – usando recursos e monitoria da nuvem. Ouça a sua inspiradora visão dos Ambientes de Aprendizado Auto-Organizáveis (AAAO)